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domingo, 10 de agosto de 2014

Razões



Razões

Que entenda o mar
que sem gota,
não há mar.

Que entenda o sol
que sem noite,
não há dia.

Que entenda deus
que sem nós,
não há deus.

Que entendam
que sem,
não há.

(thomaz sachetto)

Haicaindo em Mim Mesmo



Haicaindo em Mim Mesmo

Há sim, um luar!
De lado, intocado,
Basta observar.

Noite escura,
Divagação e canção! 
Minha fissura.

Era tarde demais, [preu] ver que estava cego,
E tarde demais, pra começar a enxergar que:
Eu tava surdo, querendo a explicação,
de um mudo que falava com a voz do coração. 

Tenho estudado,
Indagações de anciões,
Grande recado.

Sempre vivido.
Verdadeiras asneiras,
Mal entendido!

Foi ai que eu caí em mim mesmo,
tropecei lá do oitavo andar!
Percebi que estava todo errado,
E era a hora de recomeçar!

(thomaz sachetto)


domingo, 3 de agosto de 2014

Viajante Perdido




Viajante Perdido

Perdi o rastro de mim mesmo, ao me procurar,
pois venho de sendas deveras antigas,
onde a luz do sol não chegou a iluminar.

E venho caminhando numa trilha sem volta,
guiado por estrelas, em noites serenas,
ao rastro das sombras do ermo, que me escolta.

Tenho, há muito, sido o elo entre meus sonhos e este mundo,
e na ânsia de realizar aquilo que me fascina por dentro,
sou levado a crer que me fiz poeta, em pleno contentamento.

Não, não sou nada disso que aparento em essência,
nem mesmo sei a "quantas" anda quem eu deveria,
sou apenas silêncio e dor, de fato ferido, por consequência.

(thomaz sachetto)

sábado, 2 de agosto de 2014

Fluxo de Indecisões



Com tantas indecisões, qual caminho escolher?

Às vezes a gente parece não ter escolha. É como se a vida fosse nos empurrando, numa espécie de fluxo, onde as coisas vão simplesmente acontecendo. Destino isso? -Improvável. Eu diria inércia. O pior de tudo é que nem sempre estamos sendo levados para onde realmente gostaríamos de estar indo, e a indecisão de "para onde ir?" acaba nos roubando grandes oportunidades, uma vez que o tempo perdido não voltará para que refaçamos nosso caminho.

E você sabe para onde quer ir?

Se sabe, tudo bem, basta nadar contra a correnteza da inércia. Na vida, apenas mudando a direção das velas é que os ventos soprarão a seu favor. Se está realmente decidido sobre o caminho que irá trilhar, é certo que irá conseguir. Isso não significa que seja fácil, muito menos simples, porém é o único meio de se chegar em qualquer lugar.

Mas, caso ainda não saiba para onde quer ir, meu amigo, aproveite a inércia. Se não tentar mudar a direção das velas, sem dúvidas o vento continuará te levando para o mesmo lugar. Tem uma antiga passagem que diz -"Se não sabe para onde ir, qualquer caminho serve", tirada de um livro do Lewis Carroll, onde eu diria que depende muito do contexto a ser considerado, pois há caminhos e "caminhos". O mundo real é um pouquinho mais cruel que se pintam por aí. Vivemos num mar de probabilidades, que tende a dar resultados -geralmente- negativos (basta observar os noticiários para se ter uma noção de como o mundo é/está). É verdade que os próprios noticiários, por uma questão de estudos psicológicos, costumam evitar notícias boas/positivas, porém, as más/negativas notícias que eles apresentam são o suficiente para enxergamos esse caos todo que estamos vivendo, independente do que acontece de bom por ai. Por isso, é sempre bom ter em mente pelo menos a noção de onde o fluxo está te levando, para poder evitar sofrimentos tardios e irreparáveis.


Mas, como saber o que queremos?

Acredito que cada um de nós já carregue dentro de si tudo aquilo que tanto procura (ou, pelo menos deveria estar procurando). As respostas para as questões fundamentais estão ocultas em nossa própria essência, basta dar ouvidos ao seu interior para descobrir. No fundo, você sabe o que gostaria de ser e onde gostaria de estar, apenas não descobriu ainda. Cabe a nós fugirmos da inércia e superarmos nossas limitações pessoais para seguirmos rumo ao exercício de nossas verdadeiras vontades.

Ao tomar uma decisão, escolhendo um caminho, a chave para o sucesso, nessa sociedade, nem sempre estará nas mãos dos esforços pessoais de cada um. Seu empenho em se preparar melhor para enfrentar o mundo é essencial para lidar com os desafios da vida, porém, algumas virtudes nem sempre serão pré requisitos para que alguém vença na vida, contente-se. O "destino" às vezes depende de sorte, mas, normalmente essa sorte se resume em: onde você nasceu, quem são seus pais, quem você conhece, suas amizades, influências, marketing pessoal e uma série de outros fatores que estão mais ligados a quem você "aparenta" ser do que quem você realmente é. De uma forma ou de outra, temos que aprender a nos apresentar melhor, para sermos bem recebidos.

Em suma, a vida em sociedade é uma troca, e, às vezes nos dá escolhas onde o intercâmbio de interesses pessoais, bem articulado, construirá um vencedor ou um perdedor. Infelizmente, tudo parece depender do valor daquilo que você tem para oferecer em troca. É fato que essa é uma visão pessimista, nem sempre é assim, eu sei, mas ainda escreverei sob um ponto de vista otimista para mostrar o outro lado da moeda.



O que nos resta?

Somos como uma ponte. Ligamos o mundo imaterial (mental) ao mundo material (mundo físico). Nossos pensamentos podem ser materializados das mais variadas maneiras, seja através desse texto (que saiu da minha cabeça) ou até mesmo do meio (computador, tablet, celular etc) que você tem acesso a ele. De fato, tudo isso foi produto da mente humana. A construção da realidade possui nossa contribuição e podemos fazer nossa parte para torná-la um pouquinho melhor para nós mesmos. Porém, isso só acontece a partir do memento em que surge uma iniciativa, vinda de nós mesmo, que transformará aspirações, pensamentos, desejos e vontades em realidade. Para por em prática nossas intenções de mudar nossa realidade, precisamos estar cientes de que estaremos causando um certo impacto na lei da inércia e seremos constantemente atraídos por ela, ao longo da trajetória, por isso, é importante mantermos o estado de alerta e cuidarmos para que o rumo das coisas esteja sempre seguindo para onde realmente queremos.  

Momento sinceridade:
Sim, confesso que a minha vontade de escrever é infinitamente maior que o resultado de minha escrita.


Indecisão Honrada

Eis que bate em meu peito,
uma questão de vida ou morte!
E já naufragado, no leito,
é que me lanço à sorte.

Ouço a voz da razão,
bradada ao meu coração,
É hora, não há mais saída
Só a mão do inimigo, estendida!

Tenho que me decidir,
entre a honra ou a partida.
Devo morrer na guerra,
ou ao lado de minha querida?

Não, não posso voltar,

com o fardo de ter me rendido ao mar.
E o tempo, que voa rasteiro,
não me deu escolha, estou a afogar. =(


(thomaz sachetto)



quinta-feira, 31 de julho de 2014

Interiorizando



Não deixe nunca que tua alma se canse de tua vida.
Nem abandone a eterna busca de se encontrar.
O fardo pode se tornar cada vez mais pesado, mas nunca insuportável.
Construa tua vida de modo a confundir rotina com destino.
A caminhada exige sacrifícios, mas somente quando paramos para apanhar folego é que percebemos onde realmente estamos.
Transborde.
Cuide-se.

Já dizia o poeta: "O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você". (Mário Quintana)

Interiorizando

Verdejantes são os campos que enfeitam a paisagem do meu interior,
e na inquietude dos ventos que me assolam, sou levado pelo tempo;
como um turbilhão de instantes, deixando em chamas meus pensamentos,
afogados no lago inconstante das conclusões que me levam ao contentamento.

Queria topar comigo mesmo em qualquer esquina torta da vida,
para me abster num olhar seguro, longe dos medos que me calam,
e me dar as mãos, para um caminhada solitária em noites tempestuosas,
onde meu ser possa se camalear com as verdades que me embalam.

(Thomaz Sachetto)

@tsachetto 31-07-2014

quarta-feira, 30 de julho de 2014

A Sete Palmos



Você realmente está ciente de que irá morrer um dia?
Pergunte-se por mil vezes e seja sincero a cada reposta.

Eu gostaria muito de levar a vida a sério, mas a morte não me deixa.


A Sete Palmos

Enfim um lugar tranquilo,
onde eu possa descansar,
onde a trilha se encerra,
e me ponho a exaltar.

Daqui, vejo as raízes!
Nova casa com quintal,
madeira e prego na tampa,
eterno decúbito dorsal.

Estranho, meu relógio parou,
E a eterna confusão,
do que de fato é a vida,
por hora cessou!

(thomaz sachetto)

domingo, 27 de julho de 2014

O Poder é de Vocês



A vida é uma ideia muito precisa: início, meio e fim. Sempre nessa ordem, sem ensaios, sem rodeios, tudo ao vivo e a cores no eterno palco de nossa existência. O mundo, ao nosso redor, também é uma ideia muito precisa: dia e noite, sol e chuva, fases da Lua, quatro estações e por ai vai. Porém, viver não é uma ideia nada precisa e exige grandes sacrifícios e superações de nós mesmos, que compartilhamos desse mistério. A resposta para a clássica questão seria: ser.

Nosso planeta abriga, atualmente, mais de sete bilhões de pessoas (vivas). Dentre todas estas pessoas, uma delas é de inteira responsabilidade sua, cabe a você decidir o que vai acontecer com ela, cabe a você determinar cada passo, cada escolha, cada segundo por ela vivido, pois uma delas é você. 

A gente nasce donos apenas do nosso próprio corpo. É assim na natureza, com todos os seres vivos. Ainda assim, quando morremos, deixamos nosso único pertence aqui, devolvendo-o à natureza de alguma forma. E tudo o que acontece com esse corpo, durante o período que o utilizamos como veículo de nossas consciências, será uma experiência individual vivida por cada um de nós. Suas escolhas, limitações e superações, tornarão sua jornada pela trajetória da vida algo único e especial.

O jogo The Sims -para quem não o conhece- é uma plataforma onde a gente controla personagens, dando comandos para que eles cumpram tarefas semelhantes às que vivenciamos na vida real. Eles podem estudar, ler, cozinhar, se adoecer, procurar um emprego, passear, dirigir, pagar contas, construir suas casas, se relacionarem com amigos, vizinhos, podem até se apaixonar, se casar e ter filhos. Enfim, nesse jogo construímos a história de personagens, que vai desde seu nascimento até o fim da vida.

Quando nos sentamos numa cadeira em frente ao computador para jogar, é muito simples tomarmos decisões pelos personagens do jogo, simulando a vida real, pois sabemos que os resultados daquelas ações não influenciarão a nós mesmos ou a ninguém, servindo apenas como um objeto de diversão.

Mas, quando se trata de nossas próprias vidas reais, apesar de também estarmos controlando um personagem o qual tomamos decisões por ele, ou seja, nós mesmos, somos surpreendidos por uma séries de barreiras que nos impedem de ser quem somos em essência. Estas barreiras podem ser representadas pelo nosso ego, a auto crítica, a vergonha, a ansiedade, aspectos físicos e mentais, comportamento, dentre outros fatores.

A gente às vezes deixa de ser ou fazer as coisas que gostaríamos, e nos esquecemos que as pessoas, todas elas, também possuem suas barreiras e limitações. O fato é que nós, pessoas, de um modo geral, usamos máscaras como um escudo protetor, evitando revelar fragilidades internas e evitando revelar a essência (auto julgada inferior). Essas máscaras -muitas delas utilizadas inconscientemente- acabam se agregando à nossa essência por um período indeterminado, nos impedindo de ser quem realmente deveríamos ser.

Somos super protetores de nossa própria essência e não gostamos de revelá-las à ninguém, nem a nós mesmos. Grande paradoxo. No fundo, as pessoas não mordem, elas tem mais medo de serem mordidas que coragem para morder. A mordida (que representa um comportamento de terceiros que gostaríamos de evitar) é um recurso de "auto defesa", onde, o único escudo encontrado pela pessoa, para se proteger de uma iminente ameaça, seria o ataque (por exemplo, o bullying), evitando que os outros se aproximem de sua essência. Ninguém quer se expor ao "ridículo que julga ridículo", por que para alguns, algo pode ser ridículo, para outros pode ser normal. Vai depender de quem julga.

A verdade é que todos estamos aqui para aprender, ninguém nasce sabendo e ninguém é mais importante que ninguém, apenas nos divergimos na caminhada, para depois nos convergirmos no mesmo lugar, o caixão.

Uma proposta interessante para trazermos para nossas próprias vidas, seria, ao enfrentarmos algumas situações reais que preferimos evitar, devido às barreiras supracitadas, tentarmos reagir como se estivéssemos controlando um personagem do jogo, nos observando de fora, em terceira pessoa, tomando decisões que evitaríamos tomar por nós mesmos, mas lembrando que, nesse jogo "real", o resultado de nossas decisões podem interferir na experiência de outros jogadores, por isso, é melhor somar que subtrair.

A vida dura muito pouco para nos privarmos da liberdade de expressão e de escolha. Daqui um século, mais ou menos, toda a população vai estar praticamente renovada, todos aqueles mais de sete bilhões de indivíduos estarão em suas devidas tumbas, sendo que, ninguém que está vivo hoje, estará aqui no futuro, para relembrar seus erros e acertos, seus micos ou seus méritos. Tudo é passageiro e vira poeira. Viva intensamente o agora, pois somente através de suas escolhas corajosas é que poderá deixar sua eterna marca para as gerações futuras, e principalmente, para si mesmo. Não seja seu pior imigo, e tenha sempre em mente que "quem não é visto não é lembrado".

Nota: Não, eu não gosto de The Sims. Foi apenas um exemplo que veio a calhar.

sábado, 26 de julho de 2014

Apenas Dois Poemas In English! (vaidade)

Ode to a hero!

To seize the day we must,
say thanks to the first,
who takes the lands, aware from hands, the way we never cared.
A grateful work is done,
So, folks no die alone!
We might met those, with faith and hope! Cause none of us ever dared.
All lips are closed,
and sounds has ceased.
The traitor's gone, the path is clear! Say life & honor and no more fear!
Should we be flattered,
In time, we exalt,
No hell below, no sky above! Now, nothing else matters.

@tsachetto 26-07-2014

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Think Fast

From head to head, I go!
No, never down below.
I'm here to fill your mind,
Be clever and I'll be kind.
Before, I was a seed,
But then, I started to feed,
The human mind I own,
Their brain are like my throne.
I'm strong and travel fast,
Easy for one, hard for the rest.
To have me, you must think a lot,
I call myself as "Thought".

@tsachetto 27-07-2014

#PopigramBonusSaati #MyTop3EXOBias TarikGunes UCUZAG0TVerir #AngTunayNaKAPATID #GustoKo #SMASHatHUTSCTV24
TarıkGüneşe İftiraAtanOÇdir Hull vs Stoke Until Forever PBB Future Housemate

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Caninos Familiares



Caninos Familiares

Numa noite fria,
tão fria, que o mais vil lobo temia.
Nasceu uma alma tardia,
batizada Ana Maria.

No bosque, abandonada,
em sete véus enrolada.
Maldito seria o destino,
ao lobo fora levada.

O vento, que move o moinho,
no dia, soprou repentino.
Fez dela família do lobo, 
de sangue traçou teu destino.

Já nova, aprendera a caçar,
mais jovem, a estrangular.
Correra por campos e vales,
em busca de se vingar.

Vagando um dia no bosque,
o tempo pra Ana parou.
De longe armou grande bote,
tua velha mãe avistou.

A noite cheirava a vingança,
caninos a dilacerar,
um rubro lhe escorria,
jorrado da jugular.

E foi assim que a garota,
de sangue se batizou.
Agora lidera a matilha,
do lobo que um dia a criou.


@tsachetto 25-07-2014

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Do rio que secou



Do rio que secou


De velho, o rio secou.
Não de velho, porém do fim.
Entregou-se ao oceano, 
sem se despedir de mim.

Teu último grito entoado, 
fez nascer uma canção. 
Deu ao verbo vivo pranto, 
atingindo ao coração.

Foi, mas deixou a ferida, 
veias abertas, velho lar. 
Fim de tarde, aqui partida, 
mas chegada em outro lugar.

Então vagas, com outrem, 
grande mar de companhia. 
Deixas marca de nascença, 
e te tornas poesia.


@tsachetto 24-07-2014

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Poema para Minha Dor



Poema para Minha Dor
(Ou, ex-dor)


Deu-me a mão, como quem dá um presente.
Mas guardava olhar tardio.
Pediu companhia feito filhote, arisco, para uma caminhada ao sol, no frio.

Com poucas palavras, venceu meu silêncio.
Vestido florido, bons motivos e atraente veemência.
Sorriu, como quem acaba de dar a luz, ao ver os olhos mais tenros da inocência. 

Levou-me ao cume de minhas angústias, e me fez mergulhar.
Do espetáculo que eclodia de teus olhos, eu via cor.
Ao correr o solo, de encontro ao colo, me deu amor.

Hoje, tocamos o mesmo infinito,
separados pela mesma distância,
sob a luz da mesma lua e em plena relutância.


@tsachetto em 23-07-2014

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O Conjunto da Obra


No momento, não sei quem sou. Imagino apenas quem fui, seja há um segundo atrás, ou antes disso. Não posso me definir no "agora", pois no agora posso mudar e é no agora que me construo, assim como, em comparação, não posso criticar uma obra inacabada, cujo autor ainda esteja em seu processo criativo.

O "ontem" foi uma conclusão de quem eu era até aquele momento. Eu ontem, morri. Eu, há uma hora atrás, morri e a cada segundo morro, porém, a cada instante tenho a oportunidade de ir criando o meu próximo eu, que, apesar disso, irá morrer no momento seguinte. Morro, porém simbolicamente, e sou sepultado pelos resultados dos meus atos.

Sou responsável por quem estou sendo, ao construir meu presente. Também sou responsável por quem fui. Considero "ser" como uma ação atemporal, onde cada um se cria a cada instante, dando continuidade à construção de uma obra inacabada. Em relação à construção, de fato simbólica, prefiro imaginar que construímos verticalmente, para dar uma ideia de edificação. 

Não tem como fugir da construção, não temos como fugirmos de "sermos", porque nós apenas "somos", salvo pela finalização da obra, ou seja, a morte, que encerra tudo isso. Independente de como você esteja construindo a sua obra, ela vai se expandir de um jeito ou de outro e nem sempre vai ficar como gostaria. 

Você pode escolher os tijolos que farão parte de sua obra, mas alguns tijolos surgirão inesperadamente, e isso pode ser bom e surpreendente, ou ruim e desmotivador. É possível parar de construir com alguns tijolos, se for o caso, mas eles sempre farão parte da estrutura de sua obra, pois uma vez assentados, jamais podem ser tirados, e farão parte de sua obra para sempre.

Os tijolos podem representar de tudo um pouco, podem ser suas atitudes, suas conquistas, seus erros, suas vitórias, suas derrotas, seus amigos, seus amores, seus anseios, seus temores, suas influências, experiências e tudo o que te torna quem realmente é. Os tijolos são o que formam seu ser, e cabe a você decidir como será sua obra. Era isso...

domingo, 20 de julho de 2014

Uma Improvável Questão Essencial


Existem muitos pressupostos inquestionáveis, tais como: "um óvulo fecundado tende a gerar vida", "a ordem dos fatores não altera o produto" ou "toda ação gera uma reação" etc. A natureza das coisas (orgânicas e inorgânicas) está na forma particular como cada uma delas acontecem, em ordem.

Eu vejo a evolução como um meio, ou seja, uma forma pela qual os seres vivos tendem a se adaptar ao ambiente, tornando o  custo x beneficio da vida mais balanceado. A vida tende a se estabelecer sob um arranjo mais equilibrado e harmonioso para ser plena, apesar dos contrates.

A partir da fusão de um óvulo com um espermatozoide, inicia-se um processo de "posse e consumo" que só se encerrará com a chegada da morte. Quando digo "posse e consumo", me refiro à realidade dinâmica de como as coisas de fato acontecem. Desde o primeiro momento, na formação do indivíduo, ele já começa a se apossar da matéria prima ingerida pela mãe, para que suas células se alimentem e assim possam se multiplicar e ir dando forma ao seu corpo (sem contar a atenção que ele demandará nos anos de vida a seguir).

Independente do indivíduo fazer parte do reino animal ou vegetal, ele irá agora consumir toda a matéria essencial necessária para sua formação e manutenção, em um processo contínuo que perdurará por toda sua vida. A essência do corpo é o consumo e a posse temporária da matéria, para que este seja habitável, possibilitando a vida acontecer.

A matéria, em si, possui como essência a função de servir. Ela está à deriva no universo em que foi concebida, servindo fielmente às leis que a rege, servindo aos seres vivos, que dela se apossam momentaneamente, e servindo ao universo -o Cosmos em si- num constante movimento em transformação. E é aqui que entra o papel da consciência, da alma.

Certa vez, um grande cientista citou " Nós somos uma maneira do Cosmos conhecer a si mesmo". Este cientista em questão foi ninguém menos que Carl Sagan, figura chave no cenário astrofísico e grande contribuidor e divulgador de pesquisas relacionadas ao assunto.

Eu, particularmente, vejo o universo como um grande organismo em transformação. O conjunto desse organismo em funcionamento pode ser entendido como o Cosmos, onde, para mim, uma "força" primária deu origem ao primeiro movimento, e ao mesmo tempo deu partida às leis da física e ao conjunto de regras que regem o funcionamento do universo. Essa "força" pode ser denominada como a "ação" em si, em contrapartida à "não ação" existente anterior à sua chegada. Antes, possivelmente o universo se encontrava em estado de repouso.

Esse grande organismo (o Cosmos), regido por leis e particularidades especiais, em um dado momento chegou a ponto de explorar todas as configurações possíveis de organização da matéria que o constitui, alcançando um "quase limite" de experimentação das probabilidades. Nesse instante, talvez surgiu a necessidade de experimentar transformações em outro nível, de maneiras novas e com outra percepção. A "força" então, se dividiu em pequenos fragmentos de consciência, auto conscientes de si, e os mesclou à matéria, dando origem à vida individual, limitada às mesmas regras que regem a matéria, porém, animadas por um elo da alma matriz que anima o Cosmos.

A partir desse ponto, a vida de cada indivíduo se tornou um micro-universo à parte, podendo também experimentar de diferentes maneiras as possibilidades de existência a eles limitada. Com isso, o Cosmos ganhou uma nova maneira de experimentar sua própria existência e ao mesmo tempo se auto conhecer, passando pelos mais variados tipos de vivências, ampliando a maneira como experimenta existir, alimentando ainda mais seu conhecimento.

Hora o Cosmos experimenta sua existência na forma de Madre Tereza de Calcutá, Gandhi ou Buda. Hora se passa por Hitler, Mussolini ou Al Capone. Hora eu, hora você, hora um cão ou uma formiga, uma planta ou um bactéria etc. Essa "força" não depende do tempo. Ela experimenta o criminoso e a vitima. Ela experimenta o bem e o mal, o sábio e o ignorante, o rico e o pobre, os opostos em si, as extremidades. Para ela, a ordem dos fatores não altera o produto, o que vale é a experiência. Nenhum sofrimento será eterno, nenhuma felicidade também não.

Talvez, o motivo de nossas vidas durarem tão pouco tempo em relação à existência do universo, se dá pelo fato do Cosmos possuir uma constante necessidade de renovação das consciências que exercem cada vida, para que novas consciências experimentem outras possibilidades, e as coisas não aconteçam sempre da mesma maneira.

Para o Cosmos, o que vale é o aprendizado, a lição que se tira de viver na pele de cada ser. Se fossemos conscientes do que essa "força" realmente quer, seu verdadeiro propósito talvez se anularia, pois, me parece que ela quer experimentar sua existência através da espontaneidade de cada ação. Ações impensadas provocam reações inimagináveis. Ela não gosta do previsível, mas ao mesmo tempo o experimenta. Talvez ela goste de tudo que experimenta e está constantemente aprendendo a lidar e a amar tudo que vive.

Talvez, o fato de termos evoluído desenvolvendo a capacidade da "memória", seja a resposta para a necessidade do Cosmos de concretizar novas experiências. Ele não nos quer errando sempre da mesma maneira, por isso, lembramos nossos erros. Por outro lado, também temos a capacidade da "criatividade", para que erremos (ou acertemos) de maneiras diferentes e criativas a cada dia. O Cosmos parece gostar de diferentes reações para cada uma das ações, com isso obtém uma alta variabilidade de resultados.

Essa ainda não é uma reflexão completa, mas a partir disso consigo expressar e entender um pouquinho melhor o que sinto em relação às questões da vida no momento. Ainda há muito a ser acrescentado e aprendido.


sábado, 12 de julho de 2014

Minhas Assombrações


Um dia você acorda e vê que não está "tudo bem". Você olha à sua volta e repara coisas que antes não via. Você não sabe muito bem que dia isso de fato aconteceu, mas sabe que desde então, tudo está mudado para você. A partir daí, a vida começa a precisar de algum sentido. Você começa a se perguntar coisas que não aprendeu na escola e percebe que as respostas nem sempre irão te satisfazer.

Alguns questionamentos começam a surgir dentro de casa, por ser um ambiente mais próximo, com pequenos "por quês" que vão te lapidando, para que mais tarde possa entender melhor o mundo, a vida e tudo mais. Comigo não foi diferente, meus próprios primeiros "por quês" eram relacionados às coisas que afetavam meu dia a dia, como a religião, os costumes, os padrões seguidos, a falta de questionamento das pessoas de modo geral, as fraquezas e forças que constituem a raça humana etc.

Eu queria saber o por quê de vivermos em um caos inexplicável por nós mesmo, que tenta se reafirmar com argumentos não muito sólidos, beirando um colapso autodestrutivo. Alguns argumentos religiosos, por exemplo, eram tão mesquinhos para mim, que me davam a impressão de tratarem seus questionadores como "inocentes", por se questionarem de tais absurdos (por exemplo, quando me diziam que era pecado questionar a existência de deus, e como punição eu iria parar no inferno). Outros argumentos se contradiziam  e me mostravam o quão frágil somos ao compreender a realidade. Paradigmas da vida e da morte, explicações diferentes para eventos iguais e um contingente de pessoas cultas afirmando saber pouco, em vista de uma maioria ignorante transbordando de certezas.

Tudo isso serviu para me deixar, de início, inseguro quanto ao meu futuro. Para mim, eu teria que começar a aceitar tudo que me era ensinado, sem questionar muito, para poder viver uma vida normal, pois, do contrário, seria taxado de anormal e provavelmente seria sempre excluído. Com o tempo, percebi que a cada nova lição que eu aprendia e a cada novo questionamento respondido, mais longe eu estava de saber o que realmente está por trás de tudo isso. Isso me alarmava muito, mas tudo depende da forma como cada um de nós irá lidar com as informações que assimila.

Resolvi então passar a viver a vida de uma forma à parte. Comecei a observar mais, a me conter mais, a evitar desgastes desnecessários, a aprender o que as entrelinhas tentavam ensinar. Não, não digo que seja fácil viver assim, pois nem sempre estamos despertos ou preparados para lidar com todas as situações que nos surgirão, mas afirmo que a partir do momento em que resolvi não interferir na vida de ninguém para viver a minha própria, as coisas começaram a fazer mais sentido para mim. Os detalhes, que me eram importantes no início, passaram a ser apenas vestígios de uma imaturidade em fase de mudanças.

A vida, que eu percebia antes, ficou pra trás, mas  isso não significa que obtive sucesso. Continuo a mesma pessoa, com os mesmos defeitos, ou até piores,  assombrado pelos mesmo "monstros", porém hoje sofro menos com as revoltas que me afingiam no passado. No futuro, talvez ainda possa mudar a forma como vejo a vida, mas no momento, o que me torna quem sou é apenas o conjunto de experiências que me trouxeram até aqui. Ontem eu sabia menos que hoje, mas, ao mesmo tempo, tudo que sei será sempre insuficiente para mim. (Continua....)

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Realidade Abstrata #2



(Parte 2 - Suposições Fundamentais)

 Se fechar os olhos por um instante, irá perceber que, sem o auxilio da visão, o mundo ficará um pouco diferente do que o de costume. Automaticamente, a atenção se concentrará mais em outros sentidos, como a audição, e sua percepção da realidade será diferente. Para quem adquire ou nasce com alguma deficiência que afete os sentidos, seja ela visual ou auditiva,  o mundo sempre será diferente.

A humanidade não seria a mesma se não possuíssemos os cinco sentidos, porém, ainda sim, existem na natureza alguns sentidos que o homem não desenvolveu. As aves, por exemplo, são sensíveis aos campos magnéticos da terra e se orientam através deles para migrarem de habitat. As cobras possuem uma espécie de sensor capaz de detectar calor no ambiente. Os morcegos se guiam por sensores supersônicos. Alguns animais possuem super visão, outros super audição, e estes foram apenas alguns exemplos dentre dezenas de outros sentidos encontrados nos seres vivos.

 A partir disso, o que me resta são algumas perguntas essenciais: O que realmente vemos? O que não podemos perceber? Como veríamos o mundo se pudemos percebê-lo através de todos os sentidos disponíveis na natureza?

 Nossas crenças, nossas dúvidas, nossos sofrimentos e questionamentos, tudo seria diferente. Nossa visão de mundo está diretamente ligada ao limite que nossos sentidos nos permitem enxergá-lo. O mundo, através dos nossos olhos, é apenas o que podemos perceber. Acredito que ainda estamos longe de desvendar os verdadeiros mistérios que nos cercam, pelo fato de não termos a capacidade necessária para tal.

 A humanidade se construiu baseada em conceitos fundamentais limitados. No passado, não possuíamos microscópios, telescópios, sensores eletrônicos ou qualquer tecnologia que nos permitisse enxergar o mundo além dos nossos sentidos. As explicações eram simplificadas e insatisfatórias. Houveram épocas em que aqueles que ousavam ir contra as verdades fundamentais eram severamente punidos, e muitas vezes pagavam com suas próprias vidas por questionarem ou suporem novos conceitos que batiam de frente com os já existentes. Hoje em dia, através dos avanços tecnológicos e científicos, podemos por quase tudo à prova. Esse foi um grande passo para o homem, porém ainda estamos muito a quem de responder às centenas de perguntas essenciais, que tanto nos afligem.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Realidade Abstrata #1


(Parte 1 - O Universo Conceitual)

 Através dos cinco sentidos, podemos experimentar aquilo que achamos ser a realidade. Esses sentidos são as portas de nossa percepção e nos limitam a encarar o mundo de acordo com o que podemos absorver, seja através da audição, visão, olfato, tato ou paladar. Também somos capazes de nos exprimir, seja através da fala, escrita ou gestos físicos, para trocarmos informações acerca daquilo que experimentamos através dos sentidos, por exemplo.

 A partir disso, criamos conceitos para facilitar nossa comunicação e organização, como por exemplo, os nomes das cores visíveis, e chegamos a definir que o céu é azul, por mera convenção. Esses conceitos nos levam a enxergar o mundo de uma forma mais uniforme e simplificada, onde todos podemos nos embasar em conclusões predefinidas, deixando nossas vidas menos complicadas. Em tese, o céu não é azul, isso é só um conceito, ele não está alí, sobre nossas cabeças, como um teto. O céu é o resultado de um fenômeno ótico, absorvido por nossa visão, decodificado por nosso cérebro e convertido em algo conceitual, que pode ser definido e mensurado por nós. O mundo físico ao nosso redor é formado por partículas, que, isoladamente, são invisíveis a olho nú, regidas por leis que configuram suas interações e possuem propriedades ainda desconhecidas pela ciência.

 O que nos distingue desse mundo físico, material, é a nossa ainda limitada capacidade de percebê-lo, defini-lo e tentar compreendê-lo em sua totalidade, inclusive a nós mesmos. Fugimos às regras das leis físicas, pois elas não se aplicam às nossas mentes, que nos tornam o que somos, um espetáculo a parte, capazes de interagir em total comunhão com a matéria, como receptores e emissores de tudo o que nossos sentidos podem alcançar. O homem, até então, é o melhor intérprete conhecido da própria realidade.

 Infelizmente, não possuímos os sentidos mais aguçados do reino animal, mas portamos a singular e aperfeiçoada capacidade de processar e transmitir praticamente tudo aquilo que percebemos, de forma que a informação possa ser compreendida por outros de nós sem que precisem passar pelo mesmo estágio inicial, de observação e reflexão. Nossos conceitos podem ser armazenados, compartilhados e compreendidos entre nós. Individualmente, somos, cada um de nós, como "mini universos", compreendidos no interior de um amontado de partículas (nosso corpo), que recebe, processa e transmite informações através dos sentidos, limitados a um curto período de existência, e, além de tudo, capacitados a interagir com outros de nós mesmos, outros que também possuem uma capacidade particular de processar e retransmitir o que captou.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Travessão

 

Travessão

Não aconselho ninguém a ouvir meus conselhos, a seguir meus passos ou amar meus amores.

Não sou feito da dose certa de razão e emoção, nem estou pronto pra batalha que travei com o coração.

Não recomendo a leitura de minhas cartas ou rodapés rabiscados de livros antigos, nem a quebra de meus sigilos.

Não estou pronto para cumprir minhas promessas, minhas sentenças e meu papel.

Não sou nada, não sou ninguém, apenas a ausência de se ser.

by tsachetto

sábado, 28 de dezembro de 2013

Conto


Parte 1

Era tarde da noite, e o único som que se podia ouvir daquela rua sem saída era o dos passos desconcertados de um homem, que vagava sorrateiramente. A cada poste de luz avançado, sua visão percorria os arredores com um ar desconfiado. Chegando ao seu destino - uma porta metálica azul, no fim da rua -  bateu por três vezes seguidas:
            - A senha. – Berrou uma voz vinda do interior, fazendo com que o homem novamente corresse os olhos pela penumbra, em busca talvez de testemunhas auditivas ou oculares.
            - Cabo de guerra. - Falou, tornando a checar sua posição.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A Tíbia Desnuda



A Tíbia Desnuda

Enquanto a garota gritava e esperneava, amarrada à uma cadeira de ferro, um homem, que trajava um avental branco, ainda calçava lentamente um par de luvas, lançando um sinistro olhar sobre os ombros, após o estalar de um trovão naquela noite sombria. Estendeu a mão esquerda sobre um molho de chaves, que pendia sob um suporte na parede e levou-as até um grande armário metálico, no outro canto da sala.
Ao abri-lo, escolheu cuidadosamente dentre um arsenal de instrumentos macabros, uma espécie de facão, bem afiado, e um tipo incomum de ralador, daqueles de legumes, além de alguns aparatos artesanais.

Um romance com até 140 caracteres. #3

O Imprevisto

O asfalto estava quente e o tombo fora feio. Ralou-se a carne até brotar dela o osso, de um singelo branco agoniante. Eca!.


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

k'''ssk''''
k''
mk'''''k'''tk''''
chk'tk''''


Definitivamente.

Um romance com até 140 caracteres. #2

Rei Por Um Dia

Pela manhã, nascido com roupas novas. À tarde coroado, conquistando meio mundo. À noite, encontrando grande amor e repousando-se em paz, as roupas já não serviam mais, e partira.


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Enigma Improvável

Quem Sou

Este é somente um teste.
Será  um discurso breve e simples.

Ontem entrei numa padaria e o balconista me atendeu, Bom dia, deseja um cafezinho, senhor, Não, apenas pão e algumas fatias de mortadela, duzentos gramas para ser mais exato. No caixa, a atendente sorriu e foi breve, Bom dia, são nove e setenta, senhor. Paguei, agradeci e peguei as sacolas, saindo em caminhada rumo minha casa. No caminho, uma velha senhora interrompera meu caminhar, com um triste semblante e uma leve tremedeira nas mãos, Filho, poderia me arranjar um trocadinho, preciso comprar remédios. Dei de ombros e segui adiante. Mais alguns passos e fui novamente interrompido, agora por um jovem estranho, me cheirando a viciado, que me encarava de forma canil, Moço, tem um trocadinho pra passagem. Apenas neguei com um brusco movimento, fechando a cara. Continuei ignorando e simplesmente destratando todas as tentativas insistentes de arrancarem meus trocadinhos. Ao dobrar a primeira esquina, estava eu agora com setenta anos e minhas mãos tremiam. Estranhei a sensação instantânea de ter um corpo envelhecido quarenta e quatro anos, sem qualquer aviso prévio. Minha pulsação se acelerou no peito e não pude mais correr, pois tudo doía. Minha única ação foi, de imediato dar meia volta e ir de encontro à senhora que havia me abordado primeiro. Arranquei alguns trocadinhos do bolso e entreguei nas mãos da mulher, esperando ter minha juventude de volta. Nada se passou. Caminhei então em direção ao viciado, mas já não o encontrei. Percorri então alguns mais metros em busca de alguém para me ajudar, mas era tarde demais. Eu estava no inferno e minha única companhia era Satanás. Desejei nunca ter nascido, e naquele momento eis que me surge o capeta, Encontraste as portas do inferno, cervo, e agora me fará companhia pela eternidade. Estranhei o inferno não estar tão quente quanto eu esperava e tão logo ,por impulso, rebati suas palavras, Mas eu não fiz nada de errado. Por um tempo ele me encarou, severo. Uma gargalhada demoníaca se apossou do silêncio, que antes ali reinava, Seus olhos compraram sua dor e sua dor agora será eterna. Simplesmente despertei em minha cama, com meus vinte e seis anos de volta, sem inferno, sem pão ou mortadela, mas com meus trocados ainda na carteira e um abafado suador. Foi um sonho muito complexo que ainda não entendi muito bem. Preferi esquecer, ou melhor, passar para o papel. Quem sou eu.
(by tsachetto)

Dica:

domingo, 17 de novembro de 2013

O Segredo da Caixa (Parte 2)

O Segredo da Caixa
II
Memórias

Dentro da casa o silêncio reinava. O barulho da rua não conseguia transpor as grossas paredes de concreto que cercavam os cômodos, lugar perfeito para me isolar de tudo naquele momento. Entrei para o quarto de hóspedes com a tal caixa, que pesava mais do que aparentava. Coloquei-a debaixo da cama, evitando abri-la e ter contato com qualquer coisa que me religasse a meus últimos meses, crendo não haver nada importante dentro, já que nunca levava nada de valor sentimental para lugar nenhum.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Momento Cafeína #1





Não sei muito bem o que me levou a escolher o título desta postagem, talvez o excesso de cafeína no sangue. Tudo na vida acontece tão depressa, as horas, os dias, as sextas, os meses, a gente. A gente acontece tão depressa. Apesar de termos nosso curto prazo de validade particular, ainda sim nos damos ao luxo de perdermos nosso precioso tempo com coisas que, no fim, não passarão de detalhes indiferentes.

Cada um se torna responsável por aquilo que constrói ou destrói, por aquilo que acredita e torna real e por aquilo que transforma. Nunca estive tão certo de que a vida é pra ser simplesmente vivida, sentida e descomplicada, um dia de cada vez, para a "maioria das pessoas". Os detalhes, com o tempo vao se tornando indiferentes, os critérios vão se amadurecendo e as respostas para as perguntas essenciais vão sendo respondidas de acordo com a caminhada. São raras as pessoas que vieram aqui para sofrer o martírio existencialista de pensar e refletir sobre a própria existência, e quando a vida nos apresenta essas raras criaturas, devemos nos aproximar delas e contribuir para que cumpram seus verdadeiros destinos, sem jamais interferir em suas jornadas. Acredito que o destino as vezes nos dá a oportunidade de ter contato com essas pessoas, mas somos nós que não sabemos aproveitar.

Já me preparei demais para coisas que não valeram apena. Já me arrisquei demais por coisas que não valeram o risco. Já errei, já sofri mas também já acertei e por alguns momentos fui feliz. Fomos concebidos com a liberdade de escolher o que é melhor para nós e as coisas acontecem cada uma no seu tempo.

Não que possamos sair por ai voando, mas podemos ser mais felizes, ou, pelo menos nos darmos ao luxo de perdermos um tempinho tentando.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Um romance com até 140 caracteres. #1

No Leito de Morte

Num triste beijo roubado ou como uma vela que se apaga, tua alma fora levada e descansas na eternidade. Teus sonhos foram deixados, semeados por ai. 


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O Segredo da Caixa (Parte 1)

O Segredo da Caixa
I
O Reencontro

Tudo parecia bem naquela manhã de domingo. O aroma do café recém-fervido percorria os corredores até encontrar minhas narinas e o cheirinho das torradas estavam convidativos. Olhei pela janela e vi um céu completamente azul, sem nuvens. Puxei novamente as cobertas e me virei na cama, com os braços unidos ao corpo e as pernas encolhidas. Perdido em pensamentos, acabei me distraindo com a minha própria respiração, lenta, o que foi me deixando novamente sonolento, porém, não conseguia dormir, temendo voltar a ter um sonho recorrente que me perseguia há dias.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Tempos Vermelhos


Tempos Vermelhos

É meu direito pensar errado, confundir as coisas, ser manipulado.
É meu direito aceitar mentiras, debater assuntos que nem mesmo sei.
É meu direito contrariar, não fechar a boca, mesmo estando errado.
É meu direito ser injusto, repetir um erro mal interpretado.
É meu direito divulgar notícias sem saber a fonte, defender o Estado.
É meu direito não saber de nada, mas estando certo do que me falaram.
É meu direito viajar pra longe, confessar desejos, cometer pecados.
É meu direito monopolizar virtudes e exemplos, a me representar.


Nunca posso ser contrariado.
Ai daquele que for contra a lei mental
que defende o poder que comanda a capital.
Ai daquele que se opor à ideologia
de que o coletivo oprime a minoria.
Ai daquele que tiver a voz,
a falar verdades que ofendam a nós.

Democracia é apenas uma questão de interpretação,
que nessa igreja significa ditadura da desorientação.
Censura é apenas uma questão de opinião,
onde nesse igreja significa prevenção de manifestação.
Ditadura é apenas uma questão de imposição,
que nessa igreja aos poucos vem ganhando chão.

domingo, 30 de janeiro de 2011

domingo, 23 de janeiro de 2011

Eu me rendi ao que há de novo, mas não tão novo assim...


Ultimamente, minhas raízes mais profundas vem ficando cada vez mais flexíveis. Antes, era insuportável para meus ouvidos entrarem em contato com essa nova onda sonora, que chovia pelas redes, e isso me assustava. Eu não sabia até quando iria suportar. Era feito uma bomba relógio, que a cada segundo me alarmava para abrir portas estranhas e entrar em contato com coisas cada vez mais bizarras, para fugir do grande boom!, que agora, ultimamente, vem se tornando parte de mim.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Mon Chinois

Meu Chinês, legendado, sarcástico, crítico e interessante. Para assistir, dê o play!




Descobri no blog da livraria Cultura.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Pensar não me leva a nada... ou...



Às vezes eu fico divagando sobre a existência em si, toda ela. Sobre onde e como se formou o primeiro átomo, com base em que. Ou sobre os planos mais sutis, etéreos, que deram origem aos planos mais densos, físicos, ou se não foi ao contrário. Sobre como tudo isso se encontra entrelaçado e organizado. Sobre o tempo, que mede o movimento entre corpos materiais e, que se não houvessem esses corpos, não haveria tempo, ou como medi-lo. Sobre como surgiu a primeira mente, a primeira consciência, se ela era consciente de si, ou se era puramente instintiva, e como ela se dividiu ou como deu origem a outras de diferentes níveis, ou se todas se formaram ao mesmo tempo e onde vão parar. Se tudo que existe hoje nunca tivesse existido, ninguém nunca teria nascido para notar que nada nunca existiu, mas isso não vem ao caso. Estou me restringindo apenas a conceitos que só a limitada percepção humana é capaz de observar e experimentar. Há possibilidade de haver outras civilizações por ai que possuam uma longa jornada evolutiva e conhecimentos que desdobram nossas mais fantasiosas imaginações. Existem muitas variáveis e níveis de complexidade na existência. Me limitando ao conceito de dualidade, por exemplo, existem incontáveis modelos duais, desde os piores sanguinários até os maiores pacificadores, mas todos se enquadram na mesma escala, onde um tem menor proximidade ao amor, e o outro maior proximidade. A fonte de tudo, pode ter, do lado oposto, a descarga de tudo. Criação versus destruição. Se existe a bondade é por que existe a maldade, ou, pelo menos, a ausência de bondade em algum momento, senão nunca perceberíamos a bondade em si. Esse é só o conceito de dualidade aplicado a coisas simples, como o amor e o ódio, o bem e o mal, também o calor e o frio, a coragem e o medo, que, se analisados com mais atenção, são faces da mesma moeda e possuem um conceito central, se dividindo e se distanciando através de nossa percepção e rotulação. Há muito para se pensar sobre tudo.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Crítica à Bala Perdida

Existem alguns assuntos, como esse, que eu prefiro expressar através de opiniões de quem entende. De 1998 pra cá, pouca coisa mudou, e a prova disso é uma canção, composta por um pensador nacional, que retrata não só a época de seu lançamento, mas toda uma linha de tempo, desde um passado, que fez nascer esse resultado que já conhecemos bem e que ainda nos assombra. Se exite um culpado, somos todos nós, no banco dos réus esperando por uma sentença, ou, já cumprindo uma pena. A guerra começou há muito tempo atrás, o botão vermelho foi apertado mas ninguém ouviu o barulho do alarme soando. Estavam todos muito preocupados com as coisas da rotina, com coisas pequenas e acabaram nem percebendo os sérios problemas. É possível encontrar alguma contemporaneidade, o som é esse, já com mais de 12 anos de idade:

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Life is real


Caminhe sempre em direção à luz,
comprometa-se com a verdade,
seja humilde e aprenda a perdoar.
Encontre, no brilho de cada olhar,
uma nova razão para continuar.
Empreste sua companhia,
empreste algumas palavras amigas,
alguns abraços sinceros.
Traduza alguns sorrisos,
eles podem dizer muito. 
Compartilhe seu coração,
seu ombro e seus sonhos.
Não tenha medo de errar,
amanhã poderá tentar novamente.
Não tenha medo de se arrepender,
todos somos feitos de escolhas e experiências.
A vida não tem uma receita exata,
e não é um teste, é apenas, para ser vivida.


by tsachetto

Resumindo #2

As vezes, nada mais importa!