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terça-feira, 1 de julho de 2014

Realidade Abstrata #1


(Parte 1 - O Universo Conceitual)

 Através dos cinco sentidos, podemos experimentar aquilo que achamos ser a realidade. Esses sentidos são as portas de nossa percepção e nos limitam a encarar o mundo de acordo com o que podemos absorver, seja através da audição, visão, olfato, tato ou paladar. Também somos capazes de nos exprimir, seja através da fala, escrita ou gestos físicos, para trocarmos informações acerca daquilo que experimentamos através dos sentidos, por exemplo.

 A partir disso, criamos conceitos para facilitar nossa comunicação e organização, como por exemplo, os nomes das cores visíveis, e chegamos a definir que o céu é azul, por mera convenção. Esses conceitos nos levam a enxergar o mundo de uma forma mais uniforme e simplificada, onde todos podemos nos embasar em conclusões predefinidas, deixando nossas vidas menos complicadas. Em tese, o céu não é azul, isso é só um conceito, ele não está alí, sobre nossas cabeças, como um teto. O céu é o resultado de um fenômeno ótico, absorvido por nossa visão, decodificado por nosso cérebro e convertido em algo conceitual, que pode ser definido e mensurado por nós. O mundo físico ao nosso redor é formado por partículas, que, isoladamente, são invisíveis a olho nú, regidas por leis que configuram suas interações e possuem propriedades ainda desconhecidas pela ciência.

 O que nos distingue desse mundo físico, material, é a nossa ainda limitada capacidade de percebê-lo, defini-lo e tentar compreendê-lo em sua totalidade, inclusive a nós mesmos. Fugimos às regras das leis físicas, pois elas não se aplicam às nossas mentes, que nos tornam o que somos, um espetáculo a parte, capazes de interagir em total comunhão com a matéria, como receptores e emissores de tudo o que nossos sentidos podem alcançar. O homem, até então, é o melhor intérprete conhecido da própria realidade.

 Infelizmente, não possuímos os sentidos mais aguçados do reino animal, mas portamos a singular e aperfeiçoada capacidade de processar e transmitir praticamente tudo aquilo que percebemos, de forma que a informação possa ser compreendida por outros de nós sem que precisem passar pelo mesmo estágio inicial, de observação e reflexão. Nossos conceitos podem ser armazenados, compartilhados e compreendidos entre nós. Individualmente, somos, cada um de nós, como "mini universos", compreendidos no interior de um amontado de partículas (nosso corpo), que recebe, processa e transmite informações através dos sentidos, limitados a um curto período de existência, e, além de tudo, capacitados a interagir com outros de nós mesmos, outros que também possuem uma capacidade particular de processar e retransmitir o que captou.

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