O Retrato

Nós homens vivemos em um retrato. De certa forma, aqueles que pensam, ou seja, que refletem, conseguem ir um pouco além desse retrato. Porém, o consenso geral acaba criando conclusões baseadas somente nesse retrato e é comum vivermos limitados a isso. Olhar para a natureza agora, ou por cem anos seguidos, ainda sim é como olhar para um simples retrato, quase estático. A explicação para isso segue uma seguinte lógica matemática. Considerando que o universo possua seus 13,8 bilhões de anos de idade, aproximados pela ciência atual, e que, por alto, a raça humana (homo sapiens) tenha surgido há cerca de 500 mil anos atrás e ainda compararmos esses dados numa escala métrica, teremos a seguinte proporção: se a linha de tempo de existência do universo possuir 1 km (1.000 metros) de comprimento, nós, homens, teremos surgido nos últimos 3,6 centímetros (regra de três simples), ou menos. Basta clicar aqui para ter acesso a uma humilde time line que desenvolvi para ficar mais claro.
Para se ter uma ideia, eu, nessa escala, teria ocupado apenas 1884 nanômetros, já que tenho 26 anos. É importante ressaltar também a estimativa de que cerca de 99,9% das espécies que já existiram na terra foram extintas, e hoje, a média de espécies vivas gira em torno de 8,7 milhões, incluindo aquáticas e terrestres, que são maioria. A vida é extremamente inconstante, imprecisa. Fazemos parte de um conjunto de seres dançando numa tampinha de refrigerante à deriva. Somos o resultado de uma sopa cósmica indigesta que desce descontentadamente pelo esôfago de um tubarão utópico agonizante. Somos vítima do niilismo existencial de átomos cansados de serem rochas inanimadas. Ainda assim, olhamos diariamente para esse retrato e não percebemos que tudo não passa de um piscar de olhos, por mais que o tempo pareça ser lento. Nos contentamos com essa fotografia quase inalterada, nessa paisagem viciada com esse grito ecoando numa moeda de um lado só, nesse status quo tedioso. Isso é o suficiente? Existe outra escolha? Há alguma saída?
Para se ter uma ideia, eu, nessa escala, teria ocupado apenas 1884 nanômetros, já que tenho 26 anos. É importante ressaltar também a estimativa de que cerca de 99,9% das espécies que já existiram na terra foram extintas, e hoje, a média de espécies vivas gira em torno de 8,7 milhões, incluindo aquáticas e terrestres, que são maioria. A vida é extremamente inconstante, imprecisa. Fazemos parte de um conjunto de seres dançando numa tampinha de refrigerante à deriva. Somos o resultado de uma sopa cósmica indigesta que desce descontentadamente pelo esôfago de um tubarão utópico agonizante. Somos vítima do niilismo existencial de átomos cansados de serem rochas inanimadas. Ainda assim, olhamos diariamente para esse retrato e não percebemos que tudo não passa de um piscar de olhos, por mais que o tempo pareça ser lento. Nos contentamos com essa fotografia quase inalterada, nessa paisagem viciada com esse grito ecoando numa moeda de um lado só, nesse status quo tedioso. Isso é o suficiente? Existe outra escolha? Há alguma saída?

Independente de todas essas questões e afirmações, independente de todas as possibilidades que ainda não se realizaram, é assim que é a vida, é assim que o barco navega, é assim que os ventos sopram e é assim que as folhas o respondem, por mais conformista que isso possa parecer. Os números costumam nos confundir, dependendo da escala, mas ajudam a compreender uma série de hipóteses descartáveis. Não somos apenas o Pálido Ponto Azul que vaga espaço afora, ainda somos muito menos que isso. O homem, apesar de mal ter chegado, já está prestes a ser ejetado da nave-mãe antes mesmo do flash ser disparado. Somos novidade nesse cenário. Todo início é doloroso, a fase de adaptação exige muitas acrobacias e ainda estamos aprendendo a nos equilibrar. Somos uma resposta à nossa própria diferença, pois somos conscientes, diferentes de tudo em nosso redor. Somos um convite a ousar, por isso pagamos o preço dobrado, tanto na carne quanto na alma. Vemos a luz e a tomamos como verdade, porém a verdade se encontra na escuridão, assim como no silêncio. Passamos imperceptíveis por um universo indiferente a nós. Cumprimos nossa própria sentença em vão, acreditando em dias melhores. E esses dias chegam, como hão de chegar. E eles passam, como hão de dar lugar a outros. O ritmo comanda o palco. Trezentos e sessenta e cinco giros em torno de si mesma, enquanto apenas uma vez em torno do Sol. Assim também somos. Ou melhor, assim estamos. O processo é longo, o que vemos é pouco. O retrato contém a prova de tudo isso e compreende as características reais de como a natureza funciona, independente das nossas crenças e valores. O retrato é a prova de que o homem está em guerra com ele mesmo, em seu interior, muito antes da guerra se desdobrar para a realidade. O retrato é testemunha de que essa madrugada rendeu bobagens, derramadas em formas de palavras nessa página.
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