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domingo, 19 de outubro de 2014

Decidir


Um pé após o outro, tocam o chão e as alturas. Direita, esquerda, centro, up, down. Flutuante, ancorado. Traduzindo: completamente perdido. A sensação é de andar em círculos espiralados por um labirinto vivo e inconstante, rodeado por inconvenientes verdades. Desabraços sendo servidos crus e sangrentos. Ataques cretinos lançados a cada minuto. Defender, ou manter a postura? No céu, estrelas e aves digladiam pelo mesmo espaço. No chão, a plateia ostenta as migalhas. Baixa pressão aqui, alívio ali, o desconforto é geral, assim como a falta de informação. Uma mão invisível paira sobre o coração do labirinto, insinuando uma possível saída. Liberdade liberal. Parar, ou seguir. Outra mão, agora de ferro, domina onde há o vazio, por ela cultivado, tentando, com vigor, manter o poder pelo poder e nada mais. Aparelhamento injusto: efeito dominó. A desconstrução anda a todo vapor e sua sujeira vai sendo varrida para debaixo de jalecos brancos, levados ao chão com o apoio da multidão, cega. Financiamentos injustos. Um cenário surreal. Alianças surreais. Escândalos surreais. Sonhar acordado. Manutenção de ideias estagnadas, remissão de pecados justificáveis, dedos sujos que apontam para no-velhos atentados. Para cada novo sol, uma nova surpresa. Instabilidade, insegurança, medo. A sensação de "segundo plano" é compartilhada pelos, "aqueles que nos assistem". Reta final, a hora chegou. O peso da decisão recai sobre as mãos de quem [precisa de pão], ou de quem almeja um futuro menos inverossímil. Pensar com a barriga, grande avanço? Pensar com a cabeça, grande atraso? Não, não vivemos mais no passado. De um modo geral, a mentalidade das pessoas mudou, assim como a dos partidos. "No que se refere" ao mundo, este mudou. Não sei apoiar a repetição da história atual, levada pela inércia e motivo de tanta revolta. Nós até fomos pra rua. Não sei ver o lado bom da laranja podre. Independente do rumo que se dispôs a opor essa condição, eu irei segui-lo, não por quem ele é, mas pelo marco que encerra esse ciclo, já quase sem saída.

"Políticos e fraldas devem ser trocados, de tempos em tempos, pelo mesmo motivo." Eça de Queiroz

Perdoados sejam meus neologismos.


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