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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Um Porém Inexistente



Um Porém Inexistente

Éramos amigos do tempo,
e das coisas belas também.
Caminhávamos a passos lentos,
ao relento, desviando de olhares atentos;

Subíamos até o último degrau, por mil vezes:
-Cê me gritava lá de baixo, pois hora eu tava lá e cima;
-Eu te ouvia lá de baixo, pois hora cê tava lá em cima.

Vivíamos atados, como nó de marinheiro,
navegávamos, mesmo sem rumo, ou sem remos.
E reluzíamos, feito ouro.

Fomos o sustento, um do outro,
assaltados por nossos próprios abraços.

Até que a chama se apagou,
e fomos lançados ao mar.
Atingidos no peito,
Isentados de amar.

Cansei de ser teu sol,
como cansastes de ser minha lua.
Cansamos de ser espetáculo,
para uma Terra no leito de morte.
Saímos por ai, para sermos nós mesmos,
por nós mesmo e mais ninguém,
E fomos tudo isso,
porém....

(thomaz sachetto)
p.s.: To numa fase preto & branco.

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