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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Imaginações Líquidas


Imaginações Líquidas

ou Minha Infertilidade Poética


Em qual porta baterias, se tudo desse errado? A quem confiaria teus intentos inconsoláveis? Onde te refugiarias? Estas são questões que poderiam te atingir a qualquer instante, pois a vida é como uma impávida folha seca, à deriva, num vendaval errante, hora levada por campos verdejantes, assolada por suaves brisas de orvalho, hora atirada a ultrajantes trevas, embalada por uivos longínquos expelidos por montanhas gélidas.

O que te faz feliz é algo real, ou imaginário? A que atribui tuas desilusões? Somos milhares e milhares, pesando sobre a mesma superfície, forjados no mesmo forno materno e banhados por um incongruente infinito, que nos abraça e nos preenche. Somos a prova de nós mesmo, feridos pelas batalhas que travamos por nos desacreditar. Somos o escárnio vivo e paralelo à austeridade poética de nossa própria existência transitória.

Os dias, que nos aquecem, são como a liberdade, trazida pela luz solar e guiada por teus raios, que trespassam às sombras de árvores que se projetam do solo, rumo ao desconhecido onde transitam nossas futuras e irremediáveis aflições.

As noites, são como um santuário, que abriga a Lua com teu batom celestial, viajando pelas faces do infinito e deixando fumegantes marcas de beijos estrelados por todo o Cosmos, de onde ceifamos verdades que nos convêm.

A razão de tudo isso pode estar entrelaçada com a não-razão, repousada sobre as páginas de um livro que ninguém jamais ousou folhear. É a antecipação concomitante de um “sim” do existir, precedido pelo “não” da inexistência, a essência do nada.

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